“Tampouco” e “tão pouco” são expressões existentes na língua portuguesa, mas apresentam sentidos e usos diferentes. “Tampouco”, escrito como uma única palavra, reforça ou acrescenta uma informação negativa e pode ser substituído por “também não”. “Tão pouco”, escrito separadamente, indica que algo existe, ocorre ou se manifesta em pequena quantidade ou intensidade.
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“Tampouco” é um advérbio que acrescenta ou reforça uma negação, com sentido semelhante ao de “também não”.
“Tão pouco” é formado pelo advérbio de intensidade “tão” e pela palavra “pouco”.
A expressão “tão pouco” indica pequena quantidade, baixa intensidade ou reduzida frequência.
Uma forma prática de diferenciar as expressões é tentar substituir “tampouco” por “também não”.
A diferença entre “tampouco” e “tão pouco” está na escrita e, principalmente, no sentido que cada forma apresenta na frase.
“Tampouco” é uma única palavra e serve para acrescentar uma segunda negação ou reforçar uma ideia negativa já expressa. Veja:
Eu não assisti ao filme, tampouco li o livro.
Nesse exemplo, “tampouco” acrescenta outra ação que não foi realizada: a pessoa não assistiu ao filme nem leu o livro. A palavra poderia ser substituída por “também não”:
Eu não assisti ao filme e também não li o livro.
“Tão pouco”, por sua vez, é uma expressão formada por duas palavras. Ela indica que alguma coisa existe ou acontece em quantidade, intensidade ou grau reduzido.
Ele estudou tão pouco para a prova.
Nesse caso, “tão” intensifica o sentido de “pouco”. A frase informa que a quantidade de estudo foi muito pequena.
Observe a diferença:
Ela não reclamou, tampouco pediu ajuda.
Ela pediu tão pouco que todos ficaram surpresos.
Na primeira frase, “tampouco” significa “também não”. Na segunda, “tão pouco” indica uma quantidade reduzida.
A palavra “tampouco” deve ser usada para acrescentar uma informação negativa a outra negação ou para reforçar o caráter negativo de um enunciado.
Não conheço o autor, tampouco suas obras.
A frase informa que a pessoa não conhece o autor e também não conhece as obras dele.
“Tampouco” pode aparecer depois de palavras ou expressões negativas, como “não”, “nunca”, “ninguém” e “nem”.
Nunca visitei aquela cidade, tampouco conheço seus principais pontos turísticos.
Ninguém explicou o problema, tampouco apresentou uma solução.
Ele não telefonou, tampouco enviou uma mensagem.
Uma maneira simples de verificar o uso é substituir “tampouco” por “nem” ou “também não”:
Ela não confirmou a presença, tampouco justificou a ausência.
Ela não confirmou a presença nem justificou a ausência.
Ela não confirmou a presença e também não justificou a ausência.
Como a substituição preserva o sentido principal, o emprego de “tampouco” está adequado.
Atenção! A construção “nem tampouco” é encontrada na língua portuguesa e reforça uma negação. No entanto, como “nem” e “tampouco” apresentam sentidos negativos próximos, a combinação pode ser considerada enfática ou redundante em determinados contextos.
O candidato não apresentou os documentos nem tampouco justificou a ausência deles.
A escolha depende do efeito de ênfase pretendido e do grau de formalidade necessário. Na dúvida, prefira evitar a construção e usar apenas “nem” ou apenas “tampouco”.
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A expressão “tão pouco” deve ser usada quando “tão” intensifica a ideia de pequena quantidade, baixa intensidade, curta duração ou reduzida frequência expressa por “pouco”. Observe:
Restou tão pouco alimento que precisaremos comprar mais.
Nesse exemplo, “tão pouco” indica uma quantidade muito pequena de alimento.
A palavra “pouco” pode acompanhar um substantivo. Nesse caso, costuma variar em gênero e número para concordar com ele. Exemplos:
Tivemos tão pouco tempo para concluir a atividade.
A região recebeu tão pouca chuva durante o mês.
O projeto dispõe de tão poucos recursos.
Ela encontrou tão poucas informações sobre o assunto.
“Pouco” também pode modificar um verbo, um adjetivo ou outro advérbio. Nesses usos, permanece invariável.
Ele dormiu tão pouco durante a viagem.
A sala estava tão pouco iluminada que foi necessário acender outra lâmpada.
O palestrante explicou o assunto tão pouco claramente que surgiram várias dúvidas.
Em muitas frases, “tão pouco” aparece em uma construção consecutiva formada por tão pouco... que:
Ela se alimentou tão pouco que sentiu fome novamente.
O funcionário falou tão pouco que ninguém compreendeu sua opinião.
Também pode aparecer em comparações:
Tenho tão pouco tempo quanto você.
Nesse caso, “tão pouco... quanto” estabelece uma comparação entre duas quantidades consideradas reduzidas.
Os principais sinônimos ou expressões de sentido semelhante a “tampouco” são:
também não;
nem;
sequer;
muito menos.
Questão 1
Assinale a alternativa em que a expressão destacada está empregada corretamente.
A) O atleta treinou tampouco durante a semana que não estava preparado para a competição.
B) Não recebemos a encomenda, tampouco obtivemos uma explicação para o atraso.
C) A pesquisadora encontrou tampouco documentos sobre o assunto.
D) Havia tampouco espaço no auditório que algumas pessoas ficaram do lado de fora.
E) O estudante apresentou tampouco argumentos em sua resposta.
Resposta
Alternativa B. A palavra “tampouco” acrescenta uma segunda informação negativa e pode ser substituído por “também não”. Nas demais alternativas, pretende-se indicar quantidade ou intensidade reduzida; por isso, seria necessário empregar “tão pouco” ou uma de suas formas flexionadas.
Questão 2
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas.
A instituição não divulgou o resultado, ______ informou uma nova data. Como havia ______ informações disponíveis, os candidatos continuaram com dúvidas.
A) tão pouco — tampouco
B) tão poucas — tampouco
C) tampouco — tampoucas
D) tão pouco — tão poucas
E) tampouco — tão poucas
Resposta
Alternativa E. Na primeira lacuna, “tampouco” acrescenta outra ação que a instituição não realizou: ela não divulgou o resultado nem informou uma nova data. Na segunda, “tão poucas” indica uma quantidade reduzida e concorda com o substantivo feminino plural “informações”.
Fontes
AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.
DICIONÁRIO Priberam. Disponível em: https://dicionario.priberam.org/.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/tampouco-ou-tao-pouco.htm