A Operação Bandeirante, ou simplesmente OBAN, foi uma organização criada em 1969 pelo Regime Militar do Brasil. Seu objetivo era investigar e desarticular facções revolucionárias comunistas que subsistiam à época no país. Essa organização também contou com setores da sociedade civil, sobretudo empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). De mera organização com finalidade contrarrevolucionária, a OBAN tornou-se um centro irradiador de arbitrariedades e violação dos direitos fundamentais.
A criação da OBAN caracterizou-se pela integração das forças de repressão do Regime Militar, tanto no âmbito da inteligência (informação e conhecimento estratégico) quanto no âmbito operacional (investigação, ações de combate etc.). Essa integração ocorreu entre as polícias estaduais (militares e civis), a Polícia Federal e as Forças Armadas.
A demanda por essa integração partiu de uma orientação direta da Presidência da República, especificamente da Diretriz para a Política de Segurança Interna de junho de 1969. Como diz o jornalista Elio Gaspari, a OBAN:
[…] foi lapidada por meio de uma Diretriz para a Política de Segurança Interna, pela presidência da República em junho de 1969, que resultou no surgimento de estruturas semelhantes em outros estados. Estabelecia as normas que centralizavam o sistema de segurança, colocando-o sob as ordens de um oficial do Exército classificado na seção de informações do comando militar. Ele requisitaria efetivos à PM, delegados e escreventes à polícia. [1]
A Operação ficou subordinada à 2ª Seção do Estado-Maior do Exército e ao Centro de Informação do Exército (CIE). O comando-geral ficou ao encargo do major Waldyr Coelho, e a sede passou a ser na rua Tomás Carvalhal, número 1030, na cidade de São Paulo.
Os métodos da Operação Bandeirante, que teve núcleos em várias regiões do país, sendo as principais nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, incluíam não apenas a perseguição e a captura de pessoas estritamente ligadas a grupos revolucionários, mas também a tortura e execução de alguns deles. Além disso, a participação de membros das polícias, sobretudo da Polícia Civil de São Paulo, que possuía delegacias notoriamente corruptas e ligadas ao crime, bem como a grupos de extermínio, estendeu a prática da tortura até mesmo para meros suspeitos de “atividade subversiva”.
O caso mais extravagante desse tipo de postura foi o do delegado Sérgio Fernando Paranhos Fleury, da delegacia de roubos de São Paulo, que integrou a OBAN e conseguiu “convencer” os militares da “eficácia” da tortura, como bem ironiza o jornalista Elio Gaspari:
Os comandantes militares que incorporaram Fleury à “tigrada” sabiam que tinham colocado um delinquente na engrenagem policial do regime. Nos anos seguintes o delegado tornou-se um paradigma da eficácia da criminalidade na repressão política. Um raciocínio que começara com a ideia de que a tortura pode ser o melhor remédio para obter confissão transbordava para o reconhecimento de que um fora da lei pode ser o melhor agente para a defesa do Estado. Recompensando-o, em 1971, por sugestão do CIE, o governo passou-lhe no pescoço a fita verde-amarela com a Medalha do Pacificador. [2]
A partir de 1971, a OBAN passou a ser articulada com o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operação e Defesa Interna (DOI-CODI), coordenado por outro major do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra.
NOTAS
[1] GASPARI, Elio. “A Ditadura Escancarada”. In: As Ilusões Armadas (vol. 2). Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014p. 62
[2] Ibid. p. 69
Por Me. Cláudio Fernandes
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/historiab/operacao-bandeirante.htm