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Em 05/10/2016 15h31, atualizado em 05/10/2016 15h47

Colégios aprovam mudança no ensino médio, mas aguardam esclarecimentos

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Coordenadores pedagógicos veem o ensino atual engessado e desagradável para os alunos Por Adriano Lesme

Na semana passada, a publicação da Medida Provisória do Novo Ensino Médio provocou discussões e reflexões sobre o futuro da educação no país. Em meio a debates calorosos nas redes sociais, três colégios particulares conversaram com o Brasil Escola sobre as mudanças que a MP nº 746 quer implantar.

Veja o que vai mudar no ensino médio

O coordenador pedagógico do Colégio Oficina do Estudante, de Campinas/SP, Célio Tasinafo, avalia como positivas as mudanças. “A mudança é importante porque nosso ensino médio estava engessado e com números insatisfatórios” [se referindo ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Ideb].

O ensino engessado também foi um dos argumentos usados pelo coordenador pedagógico do Colégio Mopi, do Rio de Janeiro, Hélcio Alvim, para defender as mudanças no ensino médio. De acordo com o coordenador, o fato das escolas apresentarem sempre a mesma matriz curricular torna o ensino maçante e desagradável para alguns perfis de alunos.

A equipe técnica e docente do Colégio Dínamis, do Rio de Janeiro, também concorda com a flexibilidade do currículo do ensino médio. A escola entende que deve adequar o conteúdo com o real interesse do aluno. “Realizamos com muito mais eficácia aquilo que gostamos de fazer. Quando o aluno estuda com prazer, sua produção é bem maior”.

Além da flexibilização curricular, os colégios concordam com o ensino em tempo integral. “Lugar de criança e adolescente é na escola”, afirmou o Colégio Dínamis. No entanto, o coordenador do Colégio Mopi alerta que a ampliação da carga horária será inútil se não vier acompanhada de uma concepção do papel da escola. “Mais do que horário integral defende-se uma educação integral, uma educação do ser humano na íntegra”, comenta Hélcio.

Cautela

Apesar de serem favoráveis às mudanças, os colégios pedem cautela para avaliar como será o novo ensino médio. “Ainda não sabemos como as escolas vão implementar as mudanças, como será a organização do conteúdo a partir do 1º ano do ensino médio. Temos que esperar o debate da MP no Congresso”, avalia Célio Tasinafo. 


Célio é a favor das mudanças, mas ainda tem dúvidas sobre a implantação

Os coordenadores pedagógicos também são cautelosos quanto à exclusão de disciplinas do ensino médio. A MP exclui trechos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que tornavam obrigatório o ensino de Artes, Educação Física, Sociologia e Filosofia no ensino médio. Entretanto, o MEC afirmou que essas disciplinas farão parte da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que será ensinada até a metade do ensino médio.

Segundo Hélcio Alvim, é preciso esperar um pouco para que fique mais claro o que o governo quer. “Depois dessa nova notícia de que o MEC esperaria a conclusão da Base Nacional Comum Curricular para tomar qualquer medida em relação às disciplinas específicas como Artes, Sociologia, Educação Física e Filosofia – é importante que a gente aguarde antes de emitir qualquer opinião. No entanto, da nossa parte, é fundamental que essas disciplinas não desapareçam da matriz curricular do Ensino Médio”.

Caso essas disciplinas sejam excluídas da matriz curricular, Célio Tasinafo comenta que elas podem ser ensinadas nas áreas específicas. “A disciplina de Artes pode ser incorporada em Linguagens. Nós já fazemos isso com a análise de quadros, por exemplo. Já Filosofia e Sociologia podem ser incluídas no módulo de Humanas”.

Quanto Educação Física, Célio é a favor da exclusão, pois, atualmente, a disciplina não possui um conteúdo e o estudante pode praticar atividades físicas fora da escola. “Educação Física nas escolas é um resquício da ditadura militar e a maior parte das aulas é jogar bola e acabou. O estudante pode fazer Educação Física fora da escola, em uma academia, diferente de aprender Física, por exemplo”.

Críticas

O colégio Mopi avalia que “a Medida Provisória não é o melhor caminho de se garantir a participação democrática de educadores, de educandos e de famílias, que compõem juntos o quadro geral de educação”. Segundo o colégio do Rio de Janeiro, o ideal era que houvesse antes uma discussão com representantes de diversas áreas da educação.

Hélcio Alvim também afirma que as escolas brasileiras não estão preparadas para o horário integral. “As públicas, que detêm mais de 80% das matrículas do Ensino Médio, têm questões tanto de espaço quanto de educadores. As privadas, implantado o horário integral, além da questão do espaço, terão o fator do custo, que não é simples de ser resolvido e pode ser um caminho de inviabilização para muitas famílias”.

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