Espírito de Copa do Mundo na natureza: entenda como comportamentos de animais lembram um time de futebol

Em meio à Copa do Mundo 2026, especialistas explicam como comportamentos de determinadas espécies podem ser comparadas com o futebol

A Copa do Mundo 2026 é o maior espetáculo esportivo do futebol no mundo. A competição evidencia elementos da modalidade esportiva como a cooperação, coordenação de estratégias e colaboração entre os atletas.

Mas o que isso tem a ver com a natureza? Bom, algumas espécies de animais reproduzem comportamentos colaborativos que lembram o funcionamento de um time de futebol, afirmam especialistas. 

Lembrando que a cada edição são escolhidos mascotes para representar os países que sediam a Copoa. Os mascotes escolhidos para esta edição da Copa do Mundo são o alce, chamado de Maple, a águia-americana batizada de Clutch, e a onça-pintada Zayu, que representam os três países-sede respectivamente, Canadá, Estados Unidos e México.

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Comportamento de animais lembram um time de futebol

Na natureza, algumas espécies de animais contam com comportamentos que demonstram cooperação, muito importante para sua proteção, alimentação, cuidado com os filhotes e sobrevivência.

Pesquisadores da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) destacam exemplos desta situação que mostram como o jogo coletivo também faz parte da biodiversidade brasileira.

Em relação às aves, a formação dos chamados bandos mistos chama a atenção dos pesquisadores. São grupos formados por diferentes espécies que deslocam juntas pelas florestas em busca de proteção e alimento.

Aves
Comportamento coletivo de aves evidencia diferentes papeis desempenhados no grupo.
Crédito: Shutterstock.

Nessea agrupamentos, algumas espécies contam com função de comunicar e alertar contra pedradores. Já outras aves desempenham outros papeis, algumas capturam insetos no ar, outras buscam alimentos nos troncos ou entre as folhas no chão. Esse processo reduz as "individualidades" dos animais, enaltecendo a importância do coletivo.

“Seja nas florestas ou nos gramados dos estádios, o esforço coletivo é a chave. Como em um bando misto de aves na natureza, onde espécies diferentes se deslocam em conjunto, aumentando a captura de insetos e se protegendo contra predadores, um time de futebol encontra sua força na diversidade; quando talentos distintos se unem pelo coletivo, a sobrevivência vira vitória"

Pedro Develey, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza 

Para o especialista, a comparação entre futebol e natureza ultrapassa o conceito de cooperação. "No futebol, o goleiro defende — como a proteção contra predadores nos bandos mistos — e o atacante finaliza a jogada, assim como as aves que capturam suas presas. Ninguém ganha o jogo sozinho", afirma.

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Time dos botos-cinza

No ambiente marinho, os botos-cinza contam com a coordenação entre indivíduos. Essa espécie costuma viver em grupos organizados com comportamentos cooperativos importantes, essencialmente durante o cuidado com os filhotes e a alimentação.

Um exemplo curioso destacado pelos pesquisadores se refere a formação de verdadeiras "creches". Enquanto parte dos adultos sai em busca de alimento, outros indivíduos permanecem próximos aos filhotes. A estratégia contribui para aumentar a segurança dos mais jovens e reforça os laços sociais entre os animais.

Botos cinza
O boto-cinza é uma das espécies mais vulneráveis no ecossitema marinho.
Crédito: Divulgação / Instituo Boto Cinza | Reprodução UFPR).

Os botos utilizam também diferentes sinais sonoros para se comunicar dentro do grupo, o que auxilia no deslocamento, proteção e interação. 

"Os botos-cinza são um excelente exemplo de como o trabalho em equipe pode trazer vantagens para uma espécie. A colaboração entre os indivíduos é fundamental para atividades como a proteção dos filhotes e a busca por alimento. Assim como acontece em um time, cada integrante desempenha um papel importante para o sucesso coletivo"

Camila Domit, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza 

Equipe dos saguis e muriquis

Já nas florestas brasileiras, os saguis evidenciam que o cuidado coletivo faz a diferença. Frequentemente as fêmeas têm gêmeros e, após o nasciemnto, o pai assume a maior parte dos cuidados, carregando os filhotes durante vários momentos do dia, entregando-os à mãe somente durante a mamentação.

Sagui
O cuidado coletivo é uma das características dos saguis. 
Crédito: Shutterstock.

Os irmãos mais velhos também participam de forma ativa da criação dos filhotes, colaborando na busca por alimento no grupo. Esse comportante é conhecido como reprodução cooperativa e contribui para aumentar as chances de sobreviência, afirmam especialistas.

Considerados os maiores primatas das Américas, os muriquis se destacam pela convivência pacífica (o nome de sua espécie significa "povo manso da floresta"). Eles vivem em comunidades com pouca agressividade, onde não há hierarquia entre os indidívuos, diferentemente de outros grupos de primatas.

Muriqui
Muriqui é o maior macaco das Américas.
Crédito: Reprodução / Prefeitura Municipal de Praia Grande.

"A convivência dos muriquis é marcada pela passividade e colaboração. Nos saguis, também
observamos comportamentos coletivos importantes, principalmente no cuidado
compartilhado com os filhotes. Os dois são exemplos de como a cooperação pode fortalecer
a sobrevivência das espécies"

Fabiano de Melo, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza 

Especialistas da matéria sobre animais e Copa do Mundo
Especialistas entrevistados - Camila Domit (Crédito: Fernando Dias / Fundação Grupo Boticário); Pedro Develey (Crédito: GKG Fotografia); Fabiano de Melo (Crédito: Pablo Fernicola).

Videoaula sobre biodiversidade

Fique por dentro do conceito de biodiversidade na videoaula a seguir: 

 

Por Lucas Afonso
Jornalista 


Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/noticias/copa-mundo-natureza-animais-time-futebol/3133128.html