Estudo realizado pela Fundação Itaú revela que 84% dos estudantes e 79% dos professores brasileiros já utilizaram Inteligência Artificial (IA) no contexto escolar. Enquanto isso, pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic) mostra que 32% dos estudantes receberam algum tipo de orientação sobre o uso adequado de ferramentas de IA.
O Dia Mundial da Educação é celebrado nesta terça-feira, 28 de abril. A data levanta o debate sobre os desafios contemporâneos da educação e a IA tem se destacado como um dos principais, além de marcar o compromisso de 164 países com o direito universal à educação de qualidade.
Em março deste ano, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou diretrizes para o uso de IA nas instituições de ensino brasileiras. O documento orienta sobre o uso da tecnologia como suporte ao processo pedagógico, e não como substituição ao educador. Essas normas reforçam o que acreditam especialistas: a IA potencializa, mas não substitui o professor.
"A inteligência artificial é uma realidade na vida dos nossos alunos, dentro e fora da escola. O papel da instituição de ensino não é ignorar essa ferramenta, mas ensiná-los a usá-la com crítica, ética e propósito"
Marcelo Tavares, diretor-geral do Colégio Sigma
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O Observatório Fundação Itaú divulgou em outubro de 2025 a pesquisa inédita Percepções sobre a Inteligência Artificial na Educação. O estudo evidencia que a maioria dos alunos usam IA para tirar dúvidas, resolver tarefas e no processo de criação de novas ideias.
Na pesquisa, os alunos consideram que reconhecem os benefícios dessa tecnologia e estão conscientes das possíveis consequências de um consumo inadequado.
O estudo foi desenvolvido por meio de um processo de escuta específica de professores, gestores e estudantes do ensino fundamental e médio entre os meses de novembro e dezembro de 2024. Participaram um total de 142 escolas, 1.947 estudantes, 240 professores e 156 gestores. A margem de erro da pesquisa é de 2% para o grupo dos estudantes, 6% para professores e 7,8% para gestores.
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O desenvolvimento e o aprimoramento de tecnologias de inteligência artificial são fatores que atravessam a realidade humana, e consequentemente o campo da educação.
Para além do uso de ChatGPT para resolver as tarefas acadêmicas, a IA possui impacto, quando integrada ao currículo, no ritmo de aprendizagem, no apoio a educadores em tarefas repetitivas e no processo de ampliar o acesso a conteúdo de qualidade.
Segundo o professor Dr. Paulo Boa Sorte, várias discussões já vêm sendo geradas e é preciso de espaço para debate em sua perspectiva. "Precisamos, mais do que nunca, falar sobre plágio, direitos autorais e acesso a bens culturais", reforça.
Entre os desafios deste tema, na opinião de Paulo, está a formação de professores para trabalhar com essas tecnologias. "De nada adianta equipar as escolas e não oferecer uma formação para além da técnica. De nada adianta transferir para a tela aquilo que, facilmente, se pode fazer com papel e caneta. A maneira como conduzimos as atividades de ensino durante a pandemia é prova disso", afirma.
Entre as habilidades humanas que os especialistas apontam que a IA não substitui, estão:
Pensamento crítico e capacidade de questionar informações
Comunicação, empatia e inteligência emocional
Criatividade e resolução de problemas complexos
Autonomia, colaboração e responsabilidades a usá-la com crítica, ética e propósito
"Preparar o aluno para conviver com a inteligência artificial começa por preparar o professor. Quando o educador entende a ferramenta, ele consegue transformá-la em oportunidade de aprendizagem real, não apenas em atalho"
Marcelo Tavares
A inteligência artificial pode ser definida como a capacidade de uma máquina realizar determinada tarefa considerada inteligente.
Isso quer dizer que para executar essa tarefa é necessário analisar uma informação e tomar uma decisão a respeito dessa informação, conceitua o professor Dr. Anderson Soares, coordenador do curso de Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Dentro do universo da IA existe o machine learning. Nele ocorre um processo de aprendizado a partir de dados. O professor Anderson exemplifica: para ensinar à máquina o que é um cachorro, é preciso mostrar a ela uma diversidade de imagens que representam os cachorros.
Entre os tipos de inteligência artificial destacados por Anna Reali, professora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), estão:
Inteligência artificial linguística: utiliza a linguagem oral ou escrita.
Inteligência artificial lógica: analisa problemas de forma lógica e investiga questões científicas.
Inteligência artificial espacial: reconhece e manipula padrões espaciais.
Inteligência artificial musical: possui a capacidade de reconhecer, criar, reproduzir e refletir sobre a música.
Inteligência artificial emocional: é capaz de reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções e as emoções dos outros.
Confira vantagens da inteligência artificial, segundo a pesquisadora Anna Reali:
executa de forma satisfatória trabalhos repetitivos;
possibilita a eliminação de erros humanos;
disponibilidade de 24 horas por dia, sete dias por semana;
realiza tomada de decisão de forma imparcial;
permite redução de custos;
apta a fazer aquisição e análise de uma grande quantidade de dados.
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Veja, abaixo, algumas desvantagens da inteligência artificial, listadas pela professora Anna Reali:
implementação pode ser complexa;
pode provocar problemas éticos e preocupações quanto à privacidade dos dados dos usuários;
disputa de mercado de trabalho com seres humanos em muitas áreas, reduzindo a oferta de empregos.
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Por Lucas Afonso
Jornalista
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/noticias/dia-educacao-uso-ia-estudantes/3133005.html