Biodiesel de Algas

O biodiesel de algas vem despontando como uma alternativa energética, pois além de serem renováveis, as algas têm grande produtividade e não são usadas na alimentação.

Visto que o petróleo não é renovável, polui muito o meio ambiente e suas principais fontes situam-se em zonas de conflito, o que gera tensões políticas e econômicas, bem como ocasiona muitas alterações em seus preços, torna-se cada vez maior a necessidade de buscar fontes alternativas de combustíveis.

Os biocombustíveis - produtos usados para geração de energia a partir de biomassa - vêm se mostrando como alternativas eficazes aos derivados do petróleo. Um deles é o biodiesel – geralmente obtido por meio de óleos vegetais (tais como o da soja, mamona, milho, amendoim, algodão, palma, entre outros) ou de gordura animal – que consiste em hidrocarbonetos saturados de cadeia longa.

Mas uma nova fonte para a produção de biodiesel que vem despontando são as algas. As algas podem ser divididas em macro e microalgas. No sentido da produção de biocombustíveis, costumam ser utilizadas as microalgas, que são organismos aquáticos unicelulares, microscópicos e fotossintéticos que utilizam a energia solar para a fotossíntese, convertendo a energia solar em energia química armazenada.

Veja algumas das vantagens do uso desse tipo de biodiesel:

Além do biodiesel, as algas também podem ser usadas para produzir outras formas alternativas de energia, como o etanol, o hidrogênio, o metano, biomassa para combustão e gaseificação, além de outras formas variantes de hidrocarbonetos combustíveis.

Entre as técnicas usadas atualmente para se produzir microalgas em larga escala estão o uso de raceway ponds, que são grandes tanques abertos, e de fotobiorreatores tubulares fechados. Depois, as algas cultivadas passam por processos de extração de seus óleos e de processamento deles.

Lagoa utilizada para cultivo de microalgas em larga escala
Lagoa utilizada para cultivo de microalgas em larga escala[1]

Fotobiorreator tubular para a cultura de microalgas e de outros organismos fotossintéticos
Fotobiorreator tubular para a cultura de microalgas e de outros organismos fotossintéticos [2]

Mas por que, então, que esse tipo de produção ainda não alavancou?

Existem ainda alguns desafios que precisam ser vencidos, veja os principais:

  1. O custo da biomassa algal é mais dispendioso do que para os vegetais terrestres. É necessário, por exemplo, controlar o parâmetro de acidez do meio de cultivo, fornecer os nutrientes, água do mar, dióxido de carbono, luz e manter a temperatura em torno de 20-30ºC;
  2. A produção em larga escala em sistemas exteriores tem apresentado falhas em virtude das dificuldades de aplicação;
  3. Nos tanques de cultura, espécies invasivas podem surgir;
  4. Os altos índices de ácidos graxos e iodo presentes nas algas obtidas tornam necessárias várias etapas de purificação, o que encarece a sua produção. Quando comparamos com a produção do biodiesel a partir do óleo de soja, vemos que o custo de produção de óleo pelas algas é cerca de 20 vezes superior;
  5. Algumas culturas de microalgas têm alta densidade, assim, é mais difícil para a luminosidade penetrar nelas;
  6. Os métodos de extração continuam caros e há dificuldades em se desidratar a alga para extração do óleo.

Isso tem impedido o surgimento de indústrias que produzam o biodiesel de algas em larga escala. É importante que haja o desenvolvimento de soluções para aperfeiçoar os sistemas de produção e extração dos óleos das algas e também os métodos de estudo para a descoberta de espécies de algas que são mais indicadas para esse recurso energético.

* Crédito editorial das imagens:

[1]: Jan B46/ Wikipédia Commons

[2]: IGV Biotech / Wikipédia Commons


Por Jennifer Fogaça
Graduada em Química


Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/quimica/biodiesel-algas.htm