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Como evitar o uso de clichês?

Redação

Afinal, como evitar o uso de clichês? Conhecer e eliminar recursos como os chavões, frases prontas e expressões estão entre as principais alternativas para resolver esse problema.
Identificar os clichês, as frases prontas e as expressões ajuda bastante na hora de eliminar o senso comum.
Identificar os clichês, as frases prontas e as expressões ajuda bastante na hora de eliminar o senso comum.
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Antes de começarmos a falar sobre a questão dos famosos clichês nas produções de texto, vejamos o trecho a seguir:

"No mundo em que vivemos a violência aumenta cada vez mais. Nos dias de hoje o cidadão de bem não consegue mais caminhar pelas ruas sem sentir medo. É preciso que os governantes tomem providências para acabar com esse mal que assola o país. Os prefeitos, governadores e presidente precisam se conscientizar de que a situação não pode permanecer como está. Por último, mas não menos importante, é importante também que as pessoas façam a sua parte, evitando certos comportamentos que as deixam vulneráveis à violência."

Você é um leitor atento? Ao ler o parágrafo acima conseguiu identificar sua principal falha? À primeira vista ele não parece apresentar nenhum problema, está bem escrito, obedece às principais regras gramaticais, além de estar de acordo com os princípios da coerência e da coesão. Entretanto, depois de uma leitura mais cuidadosa, é possível observar que o fragmento carece de conteúdo, provando que a correção gramatical nem sempre é o suficiente para fazer de um texto um bom texto.

Esse tipo de falha é muito comum, encontrada à exaustão em redações de vestibulares e muito criticada por professores e corretores. O parágrafo que você leu está recheado de clichês, frases prontas e senso comum, elementos que devem ser evitados em um texto, sobretudo nos textos dissertativos-argumentativos. Nesse tipo textual, o candidato precisa defender uma tese por meio de bons argumentos, e bons argumentos não podem ser construídos sobre bases frágeis, concorda? É preciso ser original e fugir da tentação de recorrer às fórmulas prontas, “muletas linguísticas” que empobrecem um texto, esvaziando-o de sentidos.

Para ajudá-lo(a) a eliminar esse vício de linguagem, o Brasil Escola traz dicas de redação importantes para quem deseja alcançar uma escrita proficiente e livre de lugares-comuns, elementos que denunciam falta de repertório cultural e transformam o texto em um amontoado de palavras desinteressantes. Esperamos que você faça boa leitura, que aproveite as dicas e... bons estudos!

Como evitar o uso de clichês?

Clichês, senso comum e frases prontas. Para evitar esses elementos, saiba como identificá-los no texto:

    1. O que é senso comum? 

Fruto das experiências individuais, o senso comum é o modo de pensar da maioria das pessoas. Esse conhecimento empírico costuma basear-se em observações ingênuas da realidade que são privadas de reflexão e problematização e que circulam na sociedade com status de verdades absolutas, incontestáveis. Afirmações do tipo “mulheres não sabem dirigir”, “homens não prestam”, “muçulmanos são terroristas”, “judeus são avaros”, “todo brasileiro gosta de carnaval e futebol”, entre outros estereótipos, além de serem preconceituosas, denunciam certa preguiça linguística de quem os reproduz, afinal de contas, é mais fácil recorrer às fórmulas prontas do que se arriscar a pensar diferente da maioria, não é mesmo? Pois saiba que é hora de abolir o senso comum, não apenas de seus textos, mas também de sua vida.

    2. O que são frases prontas?

No parágrafo que inicia este artigo é possível encontrar bons exemplos de frases prontas. Você consegue identificá-las? Observe quais são: No mundo em que vivemos e por último, mas não menos importante. Além dessas, existem muitas outras (vale lembrar que se encaixam também no conceito de frases prontas os ditados populares): “a esperança é a última que morre”, “a pressa é inimiga da perfeição”, “fechar com chave de ouro”, “voltar à estaca zero” etc. Se você escreveu um texto e recorreu a esse recurso tão desgastado, faça o seguinte exercício: reescreva-o eliminando as frases prontas. Você perceberá que elas não farão falta alguma para o bom desenvolvimento das ideias, pois são excessos linguísticos absolutamente desnecessários. Nos textos não literários, sempre prefira a concisão e a objetividade.

    3. O que são as chamadas “expressões”?

Outro recurso amplamente utilizado, mas que deveria ser evitado. As expressões nem sempre são ditas da mesma maneira, mas representam ideias muito parecidas. Voltemos ao parágrafo inicial para ilustrar essa falha: “é preciso que os governantes tomem providências” e“prefeitos, governadores e presidente precisam se conscientizar”. Em uma redação como a do Enem, por exemplo, em que o candidato deve apresentar uma proposta de intervenção na conclusão do texto, expressões como essas são expressamente proibidas, pois, além de serem vazias em sua significação, denunciam incapacidade por parte do candidato de apresentar soluções viáveis para o problema. Para evitá-las, conheça outros exemplos: “o meio ambiente precisa ser preservado”, “a violência aumenta cada vez mais”, “se todos colaborarmos, viveremos em um mundo melhor” etc.

Para escrever um bom texto, você precisa ser original, e isso não quer dizer que você precise apresentar teses e argumentos mirabolantes, mas sim que você precisa aprender a refletir e problematizar sobre o tema proposto antes de começar a escrever. Boas ideias não surgem do acaso! Lembre-se de que bons escritores são, obrigatoriamente, bons leitores, e nada melhor do que a leitura para ampliar horizontes e eliminar o senso comum.


Por Luana Castro
Graduada em Letras

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PEREZ, Luana Castro Alves. "Como evitar o uso de clichês?"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/redacao/como-evitar-uso-cliches.htm>. Acesso em 13 de dezembro de 2017.

Questão 1

(MACKENZIE)

“Acho que não pode haver discriminação racial e religiosa de espécie alguma. O direito de um termina quando começa o do outro. Em todas as raças, todas as categorias, existe sempre gente boa e gente má. No caso particular dessa música, não posso julgar, porque nem conheço o Tiririca. Como posso saber se o que passou na cabeça dele era mesmo ofender os negros? Eu, Carmen Mayrink Veiga, não tenho idéia. Mas o que posso dizer é que se os negros acharam que a música é uma ofensa, eles devem estar com toda razão.” (Revista Veja).

a) A argumentação, desenvolvida por meio de clichês, subtende um distanciamento entre o eu /
enunciador e o ele / negros.

b) A argumentação revela um senso crítico e reflexivo, uma mente que sofre com os preconceitos e,
principalmente, com a própria impotência diante deles.

c) A argumentação, partindo de visões inusitadas, mas abalizadas na realidade cotidiana, aponta para a total solidariedade com os negros e oprimidos.

d) O discurso, altamente assumido pelo enunciador, a ponto de autocitar-se sem pejo, ataca
rebeldemente a hipocrisia social, que mascara os preconceitos.

e) Impossível conceber, como desse mesmo enunciador, essa frase: “Sempre trabalhei como uma
negra”, publicada semanas antes na mesma revista.

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