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Eletronegatividade

Química

A eletronegatividade representa a tendência que um átomo tem de atrair elétrons para si em uma ligação química covalente em uma molécula isolada.
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A eletronegatividade é a tendência que um átomo possui de atrair elétrons para perto de si, quando se encontra ligado a outro elemento químico diferente por meio de uma ligação covalente, isto é, em que há o compartilhamento dos elétrons, considerando essa molécula como estando isolada.

Vamos considerar dois exemplos para entender melhor o conceito apresentado:

1º Exemplo: Molécula de gás hidrogênio: H2 → H - H

Quando dois átomos de hidrogênio aproximam-se, ocorrem ao mesmo tempo forças de atração entre o núcleo de cada um desses átomos pelo elétron do outro átomo e forças de repulsão entre os elétrons e os núcleos dos dois átomos. Quando essas forças atingem o equilíbrio, os dois elétrons ficam em uma região das eletrosferas que é algum lugar entre os dois átomos da molécula, em que ambos interagem com os dois elétrons, ficando estáveis, ou seja, os dois átomos compartilham um par de elétrons.

Formação da molécula de hidrogênio

Essa é uma ligação covalente, que forma uma molécula. Mas visto que os dois átomos dessa molécula são exatamente iguais, a maneira com que eles atraem os elétrons para si também é a mesma. Assim, dizemos que não há diferença de eletronegatividade ou que ela é apolar.

2º Exemplo: Molécula de cloreto de hidrogênio: HCℓ

Nesse caso, o compartilhamento de um par de elétrons é realizado entre elementos diferentes, pois, nessa ligação, o átomo do cloro atrai os elétrons com maior intensidade que o hidrogênio. Por isso, dizemos que o cloro é mais eletronegativo que o hidrogênio.

Como mostra a figura abaixo, em virtude da diferença de eletronegatividade, é formado um dipolo elétrico (μ), que são dois monopolos elétricos, com os elétrons tendendo a serem mais atraídos pelo cloro. Então, a ligação H ─ Cℓ terá uma carga parcial negativa no cloro (δ-) e uma carga parcial positiva no hidrogênio (δ+). Portanto, essa é uma molécula com diferença de eletronegatividade e é polar:

Diferença de eletronegatividade na molécula do HCl

Isso nos mostra que a eletronegatividade é uma grandeza relativa, e não absoluta, pois ela é determinada levando-se em conta comparações de forças exercidas pelos átomos em uma ligação covalente.

Existem várias formas de se calcular a eletronegatividade, mas a mais comum é a escala de eletronegatividade proposta por Pauling. Digamos que temos uma molécula genérica A ─ B. Pauling propôs que a energia de ligação dessa molécula, simbolizada por D, seria dada pela soma da média aritmética das energias de ligação (D) das moléculas gasosas desses dois átomos, isto é, A-A e B-B, com o quadrado da diferença de eletronegatividades de cada átomo dessa molécula (xA e xB):

D(A-B) = [D(A-A) + D(B-B)]+ k (xA - xB)2

A constante k na fórmula acima é igual a 96,5 kJ . mol-1. Pauling atribuiu um valor arbitrário para a eletronegatividade do hidrogênio, que foi de 2,1, e, dessa forma, foi possível descobrir o valor da eletronegatividade dos outros elementos em relação a ele.

Com base nesse método, foram dados os valores da eletronegatividade de Pauling para os elementos da Tabela Periódica, com exceção dos gases nobres.

Valores de eletronegatividade de Pauling na Tabela Periódica

Observe que esses valores são uma propriedade periódica, pois eles variam periodicamente em função dos números atômicos dos elementos. Veja, por exemplo, que os elementos mais eletronegativos são os que estão no canto superior direito da tabela, isto é, o flúor (4,0) e o oxigênio (3,5), e os menos eletronegativos são os que estão no canto inferior esquerdo, que são o frâncio (0,8) e o césio (0,8).

Baseado nisso, criou-se até mesmo uma fila de eletronegatividade dos elementos mais eletronegativos que costumam ser mais trabalhados:

F > O > N > Cℓ > Br > I > S > C > P > H

Veja os valores das eletronegatividades:

4,0 > 3,5 > 3,0 > 3,0 > 2,8 > 2,5 > 2,5 > 2,5 < 2,1

Existe uma espécie de “macete” para se decorar essa fila de eletronegatividade, que é dada pela frase abaixo, em que a inicial de cada palavra corresponde ao símbolo dos elementos em questão:

Fui Ontem NClube, Briguei  I Saí Correndo Para o Hospital”

Portanto, podemos dizer que a eletronegatividade é uma propriedade periódica que aumenta da esquerda para a direita e de baixo para cima na Tabela Periódica.

Ordem crescente da eletronegatividade dos elementos na Tabela Periódica

Isso acontece em virtude do tamanho do raio atômico. Quanto maior o raio de um átomo, mais distantes os elétrons compartilhados estarão do seu núcleo e, portanto, mais fraca será a atração entre eles. O contrário também é verdadeiro, quanto menor o raio atômico, mais próximos do núcleo os elétrons estarão e maior será a atração entre eles. Assim, podemos concluir o seguinte:

A eletronegatividade aumenta com a diminuição do raio atômico.


Por Jennifer Fogaça
Graduada em Química

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FOGAçA, Jennifer Rocha Vargas. "Eletronegatividade"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/quimica/eletronegatividade.htm>. Acesso em 26 de julho de 2017.

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