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A busca pela perfeição - Perfeccionismo

Psicologia

O perfeccionismo é a tendência de acreditar que existe uma forma perfeita de ser e fazer, que pode trazer grandes prejuízos e ser causadora de muitos sofrimentos.
O perfeccionismo pode ter relação direta com patologias como: distúrbios alimentares, depressão e até comportamentos suicidas
O perfeccionismo pode ter relação direta com patologias como: distúrbios alimentares, depressão e até comportamentos suicidas
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O que é Perfeccionismo?

Alguns autores descrevem o perfeccionismo como uma rede de cognições, onde se encontram expectativas, interpretações para os acontecimentos da vida e a avaliação constante de si e dos outros. Outros defendem, como conceito de perfeccionismo, a tendência para acreditar que existe uma solução perfeita para todos os problemas e, além disso, acreditar que essa é a forma que deve ser buscada, já que o erro traria consequências muito severas.

Muitas pesquisas na atualidade buscam compreender os elementos constituintes do perfeccionismo e sua possível relação com patologias como distúrbios alimentares, depressão, ansiedade, comportamentos obsessivos compulsivos e até comportamentos suicidas.

Muitas vertentes de estudo atribuem à genética certa tendência ao desenvolvimento desses padrões de comportamento, outras colocam o perfeccionismo como “traço da personalidade”, outras ainda buscam explicações no contexto social e nos acontecimentos ao longo do crescimento.

Existem, na atualidade, instrumentos para mensurar o impacto da tendência perfeccionista, como a Escala Multidimensional de Perfeccionismo, desenvolvida no início dos anos noventa por Hewitt e Flett, estudiosos em psicologia, que propuseram um modelo de investigação que considerava três dimensões do perfeccionismo: a auto-orientação, a orientação para o outro e a prescrição social do perfeccionismo.

Quais são os tipos de perfeccionismo?

Para compreender melhor os tipos de perfeccionismo, devemos atentar para as peculiaridades de cada um deles. Como poderemos entender, não se trata de diferentes padrões de comportamento e sim da direção do comportamento perfeccionista. Assim, não podemos classificar uma pessoa de acordo com um tipo específico, mas sim compreender qual é a direção predominante dos investimentos perfeccionistas.

Por exemplo, o perfeccionismo auto-orientado é a dimensão que descreve o direcionamento da exigência perfeccionista nas próprias ações, ou seja, é preponderante em pessoas que são muito exigentes consigo mesmas e buscam constantemente serem perfeitas.

Já o perfeccionismo orientado para o outro, apresenta o mesmo padrão de comportamento exigente, mas cobra das pessoas que estão ao seu redor, como familiares, amigos, colegas de trabalho e funcionários.

Existe ainda um terceiro tipo de perfeccionismo: aquele que é socialmente prescrito. Disso, podemos entender que seriam cobranças vindas das normas sociais, ou seja, exigências da vida em sociedade levadas ao extremo.

O perfeccionismo é uma doença?

Existem autores que defendem que não há forma de perfeccionismo sadio, outros propõem que a exigência extrema pode ser positiva em algumas situações, mostrando alta adaptabilidade. Em uma sociedade onde a excelência e a produtividade são posturas extremamente valorizadas, podemos compreender porque o perfeccionismo possa ser visto como qualidade.

De qualquer forma, o que se deve ter em mente é se a pessoa perfeccionista está sofrendo diante dessa tendência de comportamento, que pode ser geradora de ansiedade e estresse elevados. Isso faz com que, muitas vezes, os sintomas do perfeccionismo sejam confundidos com os de um transtorno obsessivo compulsivo.

Perfeccionismo e Transtornos Alimentares

Como vimos, a tendência perfeccionista está intimamente ligada a diversas patologias psicológicas, entre elas, os transtornos alimentares. A promoção social de padrões de beleza e comportamento cada vez mais rígidos pode ser um agravante dessa situação.

O corpo e os comportamentos são comparados a “exemplos de perfeição”, impossíveis de serem alcançados, mas que são vistos como as únicas formas legítimas de ser. Essa situação social cria condições para que o perfeccionismo seja agravado, causando muito sofrimento àqueles que investem grande energia na busca da perfeição, através de comportamentos que configuram quadros de Anorexia, Bulimia ou ainda Vigorexia, que é a obsessão pelo corpo forte. Os resultados são desastrosos: os prejuízos à saúde física e psicológica chegam a configurar casos fatais, quando a exigência supera a própria vontade de viver.

Perfeccionismo tem tratamento?

Alguns autores defendem que perfeccionistas dependem de um tratamento de longo prazo para que possam aceitar as impossibilidades e imperfeições da vida. Esses autores defendem que o perfeccionismo seja um traço da personalidade, gerado em interações ainda na infância. Assim, para que o perfeccionismo possa ser tratado, a pessoa precisa ser levada a compreender que tem padrões muito exigentes. Outra importante parcela do tratamento consiste em proporcionar um ambiente favorável para que a redução da exigência seja compreendida e reforçada, que é a grande dificuldade da sociedade atual, que, como vimos, propõe, ao contrário, padrões extremamente elevados de eficiência, qualidade e produtividade. Entre as propostas de tratamento estão diferentes técnicas para trabalhar a ansiedade, ensinar a pessoa a lidar com o erro, aceitar diferenças e experienciar outras formas de realizar atividades. Mas, é importante ressaltar que, antes de qualquer tratamento, o perfeccionista precisa entender que essa forma de agir está lhe causando prejuízos e sofrimentos, para que possa buscar ajuda. 

Como saber mais?

Em 2008, o psicólogo Gordon Flett, citado como um dos estudiosos que desenvolveu a Escala Multidimensional de Perfeccionismo, deu uma entrevista à revista Época, que está disponível no conteúdo digital da revista, que é bastante esclarecedora no sentido de conhecer melhor as características do perfeccionismo.

Além disso, outros textos, com relatos da vida de pessoas perfeccionistas podem ser bastante interessantes, para compreender melhor a dimensão do sofrimento e da confusão resultantes dessa tendência, entre eles, podemos citar: “Perfeccionismo não é uma virtude”, da autora Bia Kunze, também disponível on-line.


Juliana Spinelli Ferrari
Colaboradora Brasil Escola
Graduada em psicologia pela UNESP - Universidade Estadual Paulista
Curso de psicoterapia breve pela FUNDEB - Fundação para o Desenvolvimento de Bauru
Mestranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP - Universidade de São Paulo

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FERRARI, Juliana Spinelli. "A busca pela perfeição - Perfeccionismo"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/psicologia/a-busca-pela-perfeicao.htm>. Acesso em 19 de agosto de 2017.

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