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O que é linguagem coloquial?

O que é Português?

Entender o que é linguagem coloquial é muito importante, já que a utilizamos em situações informais de interlocução, isto é, em eventos de fala do nosso cotidiano.
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Você sabe o que é linguagem coloquial?

A linguagem coloquial é uma variação de linguagem popular utilizada em situações cotidianas mais informais. A coloquialidade encontra fluidez na oralidade (fala) e, assim, não requer adequação às normas da gramática tradicional (norma culta/padrão da língua portuguesa). É na linguagem coloquial que encontramos as gírias, estrangeirismos, neologismos, abreviações, isto é, palavras e expressões que não se relacionam à norma culta da língua portuguesa.

É importante destacar que todos os estilos de linguagem têm sua relevância para os falantes da língua e podem e devem ser eleitos dependendo do contexto em que ocorre a situação comunicativa. A linguagem coloquial é empregada em situações informais, entre amigos, familiares e em ambientes e/ou situações em que o uso da norma culta da língua possa ser dispensado.

O fato de não seguir as regras gramaticais não faz a linguagem coloquial ser menos importante/relevante do que a linguagem culta. Isso porque, se considerarmos a frequência de uso de ambos os estilos de linguagem, é possível observar que a linguagem coloquial é mais frequentemente utilizada pelos falantes do que a culta.

Outra questão importante a ser destacada é que o estilo de linguagem coloquial não deve ser confundido com a diversidade de dialetos existentes no português do Brasil. Os dialetos estão muito mais relacionados à língua, sociedade e cultura do que ao estilo e escolha de registro.

O escritor João Guimarães Rosa, conhecido como “o inventor de palavras”, em sua obra Grande Sertão: Veredas, além de criar novas palavras, utilizou o estilo coloquial de linguagem, uma estratégia eficiente para que o leitor possa construir a imagem de alguns de seus personagens do sertão nordestino. Veja:

A mandioca-mansa e a mandioca-brava

(...) Melhor, se arrepare: pois num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor já viu uma estranhez? A mandioca doce pode de repente virar azangada – motivos não sei; às vezes se diz que é por replantada no terreno sempre, com mudas seguidas, de manaíbas – vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, também é que às vezes pode ficar mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. (...) Arre, ele (o demo) está misturado em tudo.

(ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. 1994. p. 27).

 

Por Ma. Luciana Kuchenbecker Araújo

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

ARAúJO, Luciana Kuchenbecker. "O que é linguagem coloquial?"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/portugues/o-que-e-linguagem-coloquial.htm>. Acesso em 24 de setembro de 2017.

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