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Literatura Portuguesa

Literatura

Importante elemento da cultura lusófona, a Literatura Portuguesa teve início no século XII e perdura como uma das mais importantes da literatura universal.
Luís de Camões, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa e Florbela Espanca estão entre os principais representantes da literatura portuguesa
Luís de Camões, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa e Florbela Espanca estão entre os principais representantes da literatura portuguesa
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Luís de Camões, Antero de Quental, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Sophia de Mello Breyner Andresen e José Saramago são alguns dos mais importantes nomes da história da Literatura Portuguesa. Das mãos desses escritores nasceram célebres obras que compõem um inestimável legado para a cultura lusófona.

Entende-se como literatura lusófona toda a produção literária escrita em língua portuguesa. Unidos pelo idioma, Brasil e Portugal estabelecem uma interessante relação dialógica, fator que permite que os escritores portugueses sejam bastante conhecidos e lidos em nosso país. A literatura portuguesa influenciou sobremaneira a construção de nossa identidade literária, visto que as primeiras manifestações da literatura nacional ocorreram durante o período colonial. Portanto, conhecer as origens da literatura portuguesa é fundamental para compreender a nossa própria literatura.

Os primeiros registros da literatura portuguesa datam do século XII. Em virtude da integração cultural e linguística entre Portugal e Galícia que havia à época, esses registros foram feitos em galego-português. Atualmente, a Galícia, região localizada na Península Ibérica, pertence ao território espanhol, conforme nos mostra o mapa a seguir:

Os primeiros registros da literatura portuguesa foram feitos em galego-português em virtude da integração que havia entre Portugal e Galícia
Os primeiros registros da literatura portuguesa foram feitos em galego-português em virtude da integração que havia entre Portugal e Galícia

Para melhor estudar e compreender a literatura portuguesa, ela também foi dividida em escolas literárias, assim como a literatura brasileira, cujos autores encontram-se cronológica e tematicamente agrupados:

Era Medieval

Trovadorismo: é considerado como os primórdios da literatura portuguesa, pois dele surgiram as primeiras manifestações literárias. As cantigas são os principais registros da época, tradicionalmente divididas em cantigas de amor, de amigo, escárnio e maldizer, representadas por nomes como Dom Duarte, Dom Dinis, Paio Soares de Taveirós, João Garcia de Guilhade, Aires Nunes, entre outros.

Pois naci nunca vi Amor
E ouço del sempre falar;
Pero sei que me quer matar,
Mais rogarei a mia senhor:
Que me mostr' aquel matador,
Ou que m'ampare del melhor (...)”.

(Nuno Fernandes Torneol - fragmento)

Humanismo: A transição do mundo medieval para o mundo moderno influenciou as artes e proporcionou o Renascimento cultural. Na literatura, a prosa historiográfica, o teatro e a poesia palaciana foram consolidados, tendo como principais representantes os escritores Gil Vicente e Fernão Lopes.

(...) Pois amor me quer matar 
com dor, tristura e cuidado,
eu me conto por finado, 
e quero-me soterrar (...)”. 

(Gil Vicente – Fragmento)

Era Clássica

Renascimento: A introdução de novos gêneros literários e a inspiração na cultura clássica greco-latina marcaram o período renascentista. Entre os novos gêneros, estavam os romances de cavalaria e a literatura de viagens, que tiveram como principais representantes Luís de Camões, Sá de Miranda e Fernão Mendes Pinto.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança: 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades. 

Continuamente vemos novidades, 
Diferentes em tudo da esperança: 
Do mal ficam as mágoas na lembrança, 
E do bem (se algum houve) as saudades (...)”.

(Luís de Camões - Fragmento)

Barroco: Marcado por uma linguagem rebuscada, permeada por figuras de linguagem de difícil compreensão, o período barroco foi marcado pelas lutas entre classes sociais e pelas crises religiosas. Entre seus principais representantes, estão Padre Antônio Vieira, Frei Luís de Souza e Antônio José da Silva.

O ingrato não só esteriliza os benefícios, senão também o benfeitor: esteriliza os benefícios, porque os paga com ingratidões e esteriliza o benfeitor, porque vendo o benfeitor que se pagam com ingratidões os seus benefícios, cessa, e não os quer continuar.

(Padre Antônio Vieira - Fragmento)

Neoclassicismo: Os principais representantes do período neoclássico, caracterizado pela revalorização dos valores artísticos gregos e romanos, foram Manuel Maria Barbosa du Bocage, Curvo Semedo e José Agostinho de Macedo. A esses escritores coube a difícil tarefa de afastar os exageros do período barroco e restabelecer o equilíbrio na literatura.

(...) A serena, amorosa Primavera, 
O doce autor das glórias que consigo, 
A Deusa das paixões e de Citera; 

Quanto digo, meu bem, quanto não digo, 
Tudo em tua presença degenera. 
Nada se pode comparar contigo.”

(Manuel Maria Barbosa du Bocage - fragmento) 

Era Romântica

Romantismo: O romantismo português marcou o fim do neoclassicismo, apresentando como principais temas o amor, a nostalgia e a melancolia, proporcionando a combinação de vários gêneros literários. No subjetivismo, nomes como Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco e Júlio Dinis encontraram sua forma de expressão.

Seus olhos - que eu sei pintar 
O que os meus olhos cegou – 
Não tinham luz de brilhar, 
Era chama de queimar; 
E o fogo que a ateou 
Vivaz, eterno, divino, 
Como facho do Destino (...)”.

(Almeida Garrett - fragmento)

Realismo e Naturalismo: Antero de Quental, Cesário Verde e Eça de Queirós são os principais representantes do realismo e naturalismo português, movimento que negou o subjetivismo e o idealismo tão presentes na estética romântica.

(...) Os tristes, os deserdados, os pobres, os oprimidos, quando tudo lhes falta, o pão, o lume, o vestido, têm sempre, no fundo da alma, uma cantiga pequena que os consola, que os aquece, que os alegra. É a última coisa que fica no pobre. E então a cantiga vale mais do que todos os poemas(...)”.

(Eça de Queiroz - fragmento)

Simbolismo:  Corrente que se opôs à temática do realismo, o simbolismo teve início com a publicação do livro Oaristos, de Eugênio de Castro. Nessa estética está presente a idealização da infância e do campo. Seus principais representantes foram Antônio Nobre e Camilo Pessanha.

Tua frieza aumenta o meu desejo: 
fecho os meus olhos para te esquecer, 
mas quanto mais procuro não te ver, 
quanto mais fecho os olhos mais te vejo. 

(Eugênio de Castro – fragmento)

Modernismo: Os principais nomes do modernismo português são Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, idealizadores da revista Orpheu, principal divulgadora dos ideais modernistas. O modernismo rompeu com antigos padrões estéticos ao propor uma linguagem literária inovadora.

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo (...)”.

(Fernando Pessoa – fragmento)

Logo mais abaixo você encontrará artigos sobre as principais escolas literárias da literatura portuguesa, assim como seus principais representantes. Boa leitura e bons estudos!


Por Luana Castro
Graduada em Letras

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