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Linguagem literária

Literatura

A linguagem literária apresenta muitas especificidades. Entre elas estão a variabilidade, a complexidade, a conotação, a multissignificação e a liberdade de criação.
A linguagem literária não possui compromisso com a transparência: sua intenção é fazer do discurso um objeto estético, e não apenas linguístico
A linguagem literária não possui compromisso com a transparência: sua intenção é fazer do discurso um objeto estético, e não apenas linguístico
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Pensando em Literatura como arte, fica mais fácil compreender os recursos linguísticos empregados para a construção de uma linguagem diferente, completamente distinta da linguagem utilizada em nosso dia a dia. Não seria estranho se o tempo todo — em nossas relações cotidianas — nos comunicássemos através de metáforas e outras figuras de linguagem? Certamente não seríamos compreendidos, mesmo porque, para cada situação, costumamos utilizar um tipo de discurso, adequando-o ao contexto comunicacional no qual estamos inseridos. Pois bem, a Literatura constitui um tipo especial de comunicação, no qual predomina o que chamamos de linguagem literária.

A linguagem literária apresenta diferenças singulares, muito embora tenha uma estreita relação com o discurso comum. Dentre os traços peculiares do discurso literário, podemos destacar:

Complexidade: Uma das principais características do discurso literário é a complexidade. Isso acontece porque a linguagem literária não tem compromisso com os sentidos que comumente são atribuídos às palavras, extrapolando assim seu nível semântico. Por esse motivo, o texto literário não é apenas um objeto linguístico, mas também estético.

→ Multissignificação: A Literatura apresenta uma linguagem que a difere da linguagem utilizada no cotidiano. Diferentemente do discurso que adotamos em nosso dia a dia, no qual prepondera o uso objetivo da fala, o discurso literário pode apresentar múltiplas leituras e interpretações.

→ Conotação: A linguagem literária é conotativa, isto é, uma palavra, quando usada no sentido conotativo, permite diferentes significados e múltiplas interpretações. A conotação permite que ideias e associações extrapolem o sentido original da palavra, assumindo assim um sentido figurado e simbólico.

→ Liberdade na criação: O artista, quando na criação de um texto literário, pode inventar novas maneiras de expressar-se, desvinculando-se dos padrões convencionais da língua, bem como da gramática normativa que a rege.

→ Variabilidade: Assim como a língua, a Literatura também acompanha as mudanças culturais, que podem ser notadas não só no discurso individual, mas também no discurso cultural.


A linguagem literária pode ser encontrada nos poemas, cujo discurso é permeado por elementos que conferem maior expressividade e beleza ao texto.

A linguagem literária pode ser encontrada na prosa, em narrativas de ficção, na crônica, no conto, na novela, no romance e também em verso, no caso dos poemas. Os textos literários não possuem compromisso com a transparência e, por esse motivo, muitas vezes demandam de nós um maior senso estético e maior capacidade de analisar e interpretar esse tipo de discurso. A Literatura encontra-se a serviço da arte e faz da criação literária um objeto linguístico e estético, ao qual podemos atribuir novos significados construídos a partir de nossas singularidades e perspectivas. O texto literário repercute em nós na medida em que revela emoções profundas, e sua compreensão dependerá de nossas vivências e do nosso repertório cultural.


Por Luana Castro
Graduada em Letras

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PEREZ, Luana Castro Alves. "Linguagem literária"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/literatura/linguagem-literaria.htm>. Acesso em 18 de dezembro de 2017.

Questão 1

Questão 111 – Enem 2013

Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.

[...]

Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. [...] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.

Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual – há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque preciso registrar os fatos antecedentes.

LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro:  Rocco, 1998 (fragmento).

A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador

a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens. 

b) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem.

c) revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.

d) admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as palavras exatas.

e) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção.

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