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Lima Barreto

Literatura

Lima Barreto foi um importante representante do período pré-modernista e autor de grandes obras, entre elas, Triste fim de Policarpo Quaresma.
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Triste fim de Policarpo Quaresma... uma obra tão importante, tão recorrente em muitas leituras solicitadas nos exames de vestibulares e, sobretudo, lida quando cursamos o Ensino Médio. Pois bem, contextualizando tal obra, ora pertencente a Lima Barreto, torna-se necessário contextualizarmos também o período a que o autor pertenceu, o Pré-modernismo. Assim, diante de um renomado autor como esse, bem como da grandiosa contribuição que ele realizou para os estudos literários, reservamos um pouco do nosso tempo para travarmos uma rica e proveitosa discussão, procurando conhecê-lo mais de perto.

Sempre quando falamos sobre algum escritor, além de pontuarmos acerca da carga ideológica que ele carrega consigo nas obras que produz, levando em conta aspectos ligados à sociedade em que viveu, muitos dos posicionamentos são oriundos do próprio modo de vida, ou seja, da própria rotina, dos acontecimentos que demarcaram a existência de cada artista. Assim, quando discutimos acerca de Lima Barreto, conhecendo melhor sua trajetória, podemos identificar nítidos traços que marcaram sua obra, sobretudo pelo fato de ele não dispor de uma condição financeira assim muito louvável, bem como pelo fato de ser mulato. Órfão aos sete anos de idade, o pai, no ano seguinte da morte da mãe, perdeu o emprego, indo trabalhar como almoxarife da Ilha do Governador, ambiente esse em que o escritor foi criado.

Em razão da condição financeira de que dispunha, Lima Barreto somente pôde concluir o curso secundário porque o padrinho, Visconde de Ouro Preto, prestou-lhe auxílio financeiro, e o sonho de se tornar engenheiro acabou cada vez mais distante de ser concretizado. Como se não bastasse, seu pai, que acabou enlouquecendo, foi internado num asilo para pessoas com essa patologia. Lima Barreto empregou-se como escrevente da Secretaria da Guerra e passou a ser colaborador da imprensa. Mediante tal luta e tamanho esforço para sobreviver, conseguiu adquirir conhecimentos de forma autônoma, tornando-se uma espécie de autodidata, o que lhe rendeu, como dito antes, alguns traços que ele, de forma ímpar, retratou em suas obras. Assim, podemos afirmar que esse estilo de vida, demarcadamente engajado com as causas sociais acima de tudo,  em muito se fez evidente em Recordações do escrivão Isaías Caminha e Clara dos Anjos. Não obstante, pelo fato de ter sido mulato, explorou com total veemência a questão relacionada ao preconcento racial e social sofrido por negros e mestiços, além de abordar com brilhantismo o descaso oriundo dos que governavam o país naquela época.

Acerca dessa questão, podemos identificá-la na obra que abre essa nossa discussão – Triste fim de Policarpo Quaresma –, em que o protagonista, representado por um funcionário público de meia-idade, identificado por Quaresma, apresenta-se como um fanático patriota, totalmente preocupado com as causas nacionais. Pelas atitudes que tomara, consideradas pelos vizinhos não muito convencionais, somente encontrara apoio no professor Ricardo Coração dos Outros, com quem desejava imensamente aprender a tocar viola, justamente porque via nas modinhas uma forma de retratar a cultura nacionalista de uma forma mais efetiva.

Para bem imaginarmos, esse fanático desejo de Quaresma era tão evidente que propunha também implantar o tupi como língua oficial do Brasil, o que denunciava uma reforma na cultura propriamente dita. No entanto, além da reforma cultural, desejava também modificar a agricultura e, em seguida, a política nacional. Assim, o que podemos perceber é que se tratava de uma reforma completa, realmente.

Acerca das demais obras, deixou-nos como legado Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909), Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá (1919), Numa e a ninfa (1915), Histórias  e sonhos (1920), Os Bruzundangas (1922) e Clara dos anjos (1924).

Apesar desse poderio, dessa habilidade artística, vale lembar que suas obras somente tiveram o merecido reconhecimento depois de sua morte. Assim, sentindo-se sozinho e amargurado, o escritor foi se entregando cada vez mais à vida boêmia, e dela à intensa depressão, tornando-se um verdadeiro alcoólatra. Em razão desse desregrar, acabou falecendo onde nascera, no Rio de Janeiro.


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

DUARTE, Vânia Maria do Nascimento. "Lima Barreto"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/literatura/lima-barreto.htm>. Acesso em 25 de maio de 2017.

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