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Como “descortinar” um texto poético

Literatura

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Sabemos que a poesia é estado de alma, é o despertar da subjetividade, revelando sentimentos e emoções vividas pelo poeta.
Mas será que estamos preparados para entender a essência da mensagem como um todo? O texto realmente fez diferença, ou não passou de meras palavras?

Há muito o que descobrir por trás de uma simples estrofe e de um simples verso, pois na maioria das vezes o objetivo do poeta é fazer um denúncia , é criticar algo relacionado ao contexto social, e, somente iremos decifrar tudo isso através do nosso conhecimento de mundo.Esta é a chamada "Análise do Discurso", através dela conseguimos desvendar a intencionalidade do autor e fazer com que a leitura de um modo geral, nos faça sentido.

Vejamos agora um poema de Ulisses Tavares, o qual retrata muito bem esta questão:


Além da Imaginação

Tem gente passando fome.
E não é a fome que você imagina
entre uma refeição e outra.
Tem gente sentindo frio.
E não é o frio que você imagina
entre o chuveiro e a toalha.
Tem gente muito doente.
E não é a doença que você imagina
entre a receita e a aspirina.
Tem gente sem esperança.
E não é o desalento que você imagina
entre o pesadelo e o despertar.
Tem gente pelos cantos.
E não são os cantos que você imagina
entre o passeio e a casa.
Tem gente sem dinheiro.
E não é a falta que você imagina
entre o presente e a mesada.
Tem gente pedindo ajuda.
E não é aquela que você imagina
entre a escola e a novela.
Tem gente que existe e parece
imaginação

(Ulisses Tavares. São Paulo, Brasiliense, 1984.)

Através do mesmo, podemos identificar uma verdadeira crítica às mazelas da sociedade, fazendo referência principalmente à desigualdade que tanto assola o nosso país atualmente. E se formos analisar o título- “imaginação” iremos identificá-lo com tudo o que foi dito anteriormente, haja visto que o real significado da palavra vai além do que ele literalmente representa.

Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

Literatura - Brasil Escola

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

DUARTE, Vânia Maria Do Nascimento. "Como “descortinar” um texto poético "; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/literatura/como-descortinar-um-texto-poetico.htm>. Acesso em 31 de maio de 2016.

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