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Solução final: o plano nazista de extermínio dos judeus na Europa

História Geral

A Solução Final foi o plano criado por Himmler e Heydrich que esquematizou o extermínio de milhões de judeus por fuzilamento e morte nas câmaras de gás.
Seleção de judeus para serem mandados para Auschwitz-Birkenau em 1944
Seleção de judeus para serem mandados para Auschwitz-Birkenau em 1944
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A chamada “solução final” foi o nome dado pelos nazistas ao plano de genocídio colocado em prática contra os judeus ao longo da Segunda Guerra Mundial, no Holocausto. O plano voltava-se, principalmente, para a política de erradicação total da população de judeus da Europa, porém, é importante lembrar que, no Holocausto, além de judeus, foram executados ciganos, testemunhas de jeová, homossexuais, doentes mentais e negros.

Criação da “Solução final”

O plano de extermínio contra os judeus promovido pelos nazistas durante a Segunda Guerra foi aprovado por Hermann Göring em 31 de julho de 1941. Esse plano, chamado de “solução final”, foi criado por Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler e tinha como objetivo a erradicação total dos judeus da Europa. Propunha que todos os judeus que não pudessem trabalhar para os nazistas seriam mortos imediatamente, e os que estivessem aptos seriam forçados a trabalhar até que a exaustão os matasse.

O plano proposto por Heydrich e Himmler baseou-se em algumas propostas que Hitler tentou colocar em prática no Leste Europeu até meados de 1941, mas que haviam falhado. Primeiramente, havia o Plano de Fome, no qual os nazistas tentaram impor a morte de 30 milhões de pessoas por inanição. Depois, havia o plano de extermínio total dos judeus após a vitória sobre a União Soviética (segundo planejava o próprio Hitler). Por fim, pretendia-se a transformação da União Soviética em uma colônia de exploração alemã.

Einsatzgruppen: os grupos de extermínio

Os arquitetos do Holocausto: Heindrich Himmler (esquerda) e Reinhard Heydrich (centro) em foto de 1940 *
Os arquitetos do Holocausto: Heindrich Himmler (esquerda) e Reinhard Heydrich (centro) em foto de 1940 *

Após obter a autorização formal de Hitler (transmitida por Göring), Himmler já impôs seu plano em prática. Em um primeiro momento, Himmler sugeriu que o método mais simples de lidar com a situação era por meio do fuzilamento. Himmler era crítico dos planos anteriores de Hitler que sugeriam matar os judeus lentamente de fome e dos planos de deportação propostos (os nazistas chegaram a cogitar deportar os judeus da Europa para Madagascar).

Assim, para colocar em prática seu projeto de fuzilamento, Himmler convocou o Einsatzgruppen para essa missão. A ordem dada em julho de 1941 era a de que o Einsatzgruppen deveria matar todos os judeus do oeste da União Soviética (homens, mulheres e crianças). A imposição dessa ordem levou o Einsatzgruppen C (responsável pela região da Ucrânia) a matar cerca de 60 mil judeus entre agosto e setembro de 1941|1|.

A atuação do Einsatzgruppen aconteceu em todo o oeste da União Soviética. Um dos casos mais emblemáticos foi o extermínio de judeus em Kiev, onde em cerca de 36 horas os grupos de extermínio nazistas fuzilaram cerca de 33 mil pessoas. Isso ocorreu em setembro de 1941. A política de extermínio nazista foi responsável pela morte de cerca de um milhão de judeus no Leste Europeu até dezembro de 1941|2|.

No entanto, a ordem dada para o fuzilamento de crianças e mulheres gerou inúmeros problemas psicológicos nos membros do Einsatzgruppen. A resposta foi criar um método de extermínio que fosse mais impessoal e que pudesse matar mais pessoas em menos tempo: as câmaras de gás.

Câmaras de gás

As câmaras de gás foram criadas com o intuito de aumentar o volume das execuções realizadas. Além disso, por ser realizada de maneira impessoal, ela diminuía os casos de transtornos psicológicos causados no Einsatzgruppen. As primeiras câmaras de gás foram testadas contra prisioneiros soviéticos em vagões de trem adaptados. A morte foi por envenenamento por monóxido de carbono.

As câmaras logo foram adicionadas aos campos de concentração nazistas. Os campos de concentração haviam sido criados pelos judeus ainda na década de 1930. Com a guerra e a conquista de várias regiões na Europa, os nazistas expandiram a ideia e criaram vários outros campos de concentração, principalmente no Leste Europeu.

Com o estabelecimento da Solução Final, os campos de concentração passaram a receber judeus de todas as partes da Europa. Os principais campos de concentração foram instalados na Polônia, e os prisioneiros eram levados de trem. O termo usado pelos nazistas era reassentamento, mas como diz o historiador Timothy Snyder, esse termo era um eufemismo para extermínio em massa.

As câmaras de gás passaram a utilizar o pesticida Zyklon B. Os principais campos de concentração e extermínio foram Auschwitz-Birkenau, Treblinka, Sobibor e Belzec, todos eles localizados na Polônia.

Estima-se que cerca de três milhões de judeus tenham morrido nos fuzilamentos e nas câmaras de gás. Outros três milhões morreram em decorrência dos maus-tratos, exaustão, fome, doenças etc. Os historiadores estimam que cerca de 2/3 dos judeus da Europa tenham sido mortos pelas ações dos nazistas.

|1| SNYDER, Timothy. Terras de sangue: a Europa entre Hitler e Stalin. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 247.
|2| Idem, p. 270

*Créditos da imagem: Everett Historical e Shutterstock


Por Daniel Neves
Graduado em História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Solução final: o plano nazista de extermínio dos judeus na Europa"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiag/solucao-final-plano-nazista-exterminio-dos-judeus-na-europa.htm>. Acesso em 18 de agosto de 2017.

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