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Segunda Guerra Mundial na Iugoslávia

História Geral

Os combates na Iugoslávia durante a Segunda Guerra Mundial começaram após a invasão nazista na região, em 1941.
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A Iugoslávia havia alcançado sua independência em 1918 após a decadência do Império Austro-húngaro e, desde 1929, era governada por uma ditadura monarquista. O chamado Reino da Iugoslávia era governado pelo príncipe Paulo quando a Segunda Guerra Mundial começou, em 1939, e agrupava uma série de etnias, como sérvios, croatas e bósnios, que alimentavam grande rivalidade entre si.

A guerra que se desencadeou nos Bálcãs, consequência da invasão nazista, foi mais uma luta entre os grupos étnicos internos do que um movimento de oposição aos invasores nazistas. Assim, os grupos internos que protagonizaram a luta, ao mesmo tempo que se opunham ao nazismo, lutavam entre si pelo controle político da região.

Invasão Nazista

Partisans armados para o combate. A data da foto é desconhecida
Partisans armados para o combate. A data da foto é desconhecida

No início de 1941, a Alemanha nazista coagiu o governo iugoslavo a se aliar ao Eixo (aliança formada por Alemanha, Itália e Japão a partir do Pacto Tripartite de 1940) para conseguir deslocar suas tropas pelo território iugoslavo a fim de ajudar os italianos na Grécia e garantir o controle dos recursos iugoslavos. O príncipe Paulo, incapaz de reagir, aceitou o acordo.

A aceitação do acordo com o Eixo fez com que um grupo de nacionalistas sérvios realizasse uma tentativa de golpe em 27 de março para reaver o poder e impedir o acordo com os nazistas. A resposta alemã ao golpe sérvio ocorreu cerca de uma semana depois com a invasão alemã na Iugoslávia em 6 de abril de 1941. O governo iugoslavo fugiu para Londres após essa invasão.

A partir daí, seguiu-se a divisão do território iugoslavo com os membros do Eixo conforme relata o historiador Max Hastings:

A Eslovênia setentrional [norte] foi incorporada ao Reich. A Croácia adquiriu independência, e sua milícia fascista, Ustaše, assumiu um papel poderoso e sangrento na manutenção do controle do país pelo Eixo, desencadeando, em maio de 1941, um reinado de terror destinado a limpar a Croácia de seus dois milhões de sérvios. Simultaneamente, a Dalmácia e a Eslovênia meridional [sul] foram entregues à Itália. A Macedônia, dada à Bulgária […] |1|.

Assim, além da divisão do território iugoslavo entre os membros do Eixo, surgiu um Estado fantoche – aliado aos nazistas – na região: O Estado Independente da Croácia, governada por Ante Pavelić, líder do grupo fascista Ustaše. A Croácia realizou um projeto de limpeza étnica na região para erradicar a população sérvia dos territórios sob seu controle.

As resistências aos croatas do Ustaše e, em parte, aos alemães foram realizadas por dois grandes grupos, que muitas vezes lutaram entre si na guerra:

  • Movimento chetnik: sérvios nacionalistas defensores do governo monárquico que havia sido derrubado com a invasão nazista. Eram liderados por Draža Mihailović;

  • Comunistas “partisans”: eram iugoslavos de todas as nacionalidades que se alinhavam ao comunismo e lutavam pelo estabelecimento de uma república comunista. Eram liderados por Josip Broz Tito.

Memorial às vítimas do campo de concentração de Jasenovac, Croácia *
Memorial às vítimas do campo de concentração de Jasenovac, Croácia *

A luta contra os nazistas foi realizada, principalmente, pelos partisans, uma vez que a resistência chetnik foi bastante tímida, pois muitos temiam as represálias alemãs. Além disso, chetniks e partisans lutavam entre si pelo poder na região quando a expulsão dos nazistas fosse concretizada.

O conflito na Iugoslávia ficou marcado pela limpeza étnica iniciada pelos croatas do Ustaše contra sérvios e que logo passou a ser realizada por chetniks sérvios contra croatas e bósnios. Os partisans também tiveram parte em massacres contra a população camponesa que se opunha aos ideais comunistas. As tropas nazistas também tiveram parte na violência nos Bálcãs.

O ápice desse processo de limpeza étnica foi a criação de um campo de concentração pelo Ustaše em Jasenovac. Esse campo de concentração foi responsável, em estimativas baixas, pela morte de 100 mil pessoas entre sérvios, ciganos, judeus e muçulmanos. As estimativas do confronto na Iugoslávia afirmam que pelo menos um milhão de pessoas morreu, a maioria vítima de massacres e genocídios. Hastings aponta 1,2 milhão de mortos |2|, enquanto Niksic e Rodrigues apontam 1,7 milhão de mortos na Iugoslávia |3|.

Selo soviético de 1982 comemorando o centenário de nascimento de Josip Broz Tito **
Selo soviético de 1982 comemorando o centenário de nascimento de Josip Broz Tito **

Ao final do conflito, em 1945, os partisans de Tito prevaleceram, derrotando nazistas e chetniks. Contando com o apoio de ingleses e soviéticos, os partisans ocuparam o poder da República Socialista Federativa da Iugoslávia, que haviam fundado dois anos antes, em 1943. Apesar das rivalidades étnicas, Tito conseguiu manter o controle dos nacionalismos de maneira ditatorial até sua morte em 1980.

|1| HASTINGS, Max. O mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 485.
|2| Idem, p.484.
|3| NIKSIC, Stevan e RODRIGUES, Pedro Caldeira. O vírus balcânico: o caso da Jugoslávia. Lisboa: Assírio & Alvim, 1996, p. 30.

*Créditos da imagem: Rndms e Shutterstock
**Créditos da imagem: Joymsk140 e Shutterstock


Por Daniel Neves
Graduado em História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Segunda Guerra Mundial na Iugoslávia"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiag/segunda-guerra-mundial-na-iugoslavia.htm>. Acesso em 27 de junho de 2017.

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