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Ascensão e queda do Império Islâmico

História Geral

O Império Islâmico conseguiu sua ascensão principalmente com a unificação entre Estado e religião por intermédio da ação inicial de Maomé.
Caaba na cidade de Meca – centro de peregrinação religiosa muçulmana.*
Caaba na cidade de Meca – centro de peregrinação religiosa muçulmana.*
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Entre os séculos VII e VIII, o Império Islâmico alcançou sua maior extensão territorial, abarcando terras desde a Ásia Central até a Península Ibérica, passando pelo norte da África. Essa rápida ascensão pode ser explicada pela unidade conseguida entre os árabes realizada pelo advento do islamismo e de sua adoção como religião.

A origem do império está na Península Arábica, região desértica ocupada pelos árabes, que se dedicavam principalmente ao comércio, seja através das caravanas de beduínos no deserto ou nas cidades próximas ao litoral, como Iatreb e Meca. Foi nessaúltima que nasceu Maomé, membro da tribo dos coraixitas, por volta de 570, e onde ele iniciou a difusão da crença em um deus único, Alá. Os árabes eram politeístas, adorando animais e plantas. A cidade de Meca era um centro religioso por abrigar o templo onde se encontrava a Pedra Negra, um possível meteorito tido como sagrado, que ficava guardado na Caaba, junto a várias imagens dos demais deuses.

Maomé afirmava que durante mais de vinte anos, em suas meditações, estivera em presença do anjo Gabriel, que em suas mensagens dizia a ele existir apenas um Deus, condenando a adoração dos demais deuses árabes. Dizia ainda que Maomé era mais um dos profetas de Deus, como Moisés e Jesus, e deveria difundir pelo mundo a verdade divina repassada nas mensagens. Maomé iniciou suas pregações em Meca, conseguindo adeptos principalmente entre a população pobre. Os ricos membros da tribo dos coraixitas viam a pregação monoteísta como uma ameaça ao seu poder econômico e religioso, já que a economia girava principalmente em torno da peregrinação à cidade para visitas à Caaba, e as pregações monoteístas poderiam expulsar os visitantes.

A perseguição a Maomé e seus seguidores intensificou-se, obrigando-os a fugir para Iatreb, cidade ao norte de Meca, em 622. O episódio ficou conhecido como Hégira e marcou o início do calendário islâmico. Em Iatreb (depois denominada Medina, cidade do profeta), Maomé conseguiu converter a população e formar um exército para conquistar Meca em 630. Maomé morreu em 632, mas nesse período de dez anos entre a Hégira e sua morte ele conseguiu unificar as tribos árabes e convertê-las ao islamismo, em boa parte graças ao jihad, o esforço a favor de Deus, subjugando militarmente os recalcitrantes.

Até a sua morte Maomé havia conquistado toda a Península Arábica, e os quatro califas que o sucederam expandiram o território do império para a Pérsia, Mesopotâmia, Palestina, Síria e Egito. Os califas eram os “sucessores do Profeta de Deus”. Porém, havia o problema da sucessão, surgindo o debate se seriam os membros da tribo coraixita ou os descendentes diretos de Maomé que o sucederiam. O primeiro califa acabou sendo o sogro de Maomé, Abu-Béquer. O Império Islâmico era um Estado teocrático, com o califa exercendo as funções de chefe religioso e chefe de Estado. Apesar de empreenderem uma guerra pela difusão da nova religião, os árabes foram tolerantes com cristãos e judeus nos territórios conquistados, pois eram considerados os “Povos do Livro”, indicando uma herança religiosa comum.

O quarto califa, Ali, genro de Maomé, foi derrubado pelos membros da tribo dos Omíadas, ligados ao califa Otman, iniciando uma nova dinastia. No período dos Omíadas, entre 661 e 750, o Império Islâmico conheceu sua maior extensão territorial, somando territórios na Índia, Ásia Central, norte da África e Península Ibérica, sendo contidos pelos francos em 732, na Batalha de Poitiers, passando ainda a capital para Damasco. Foi nesse período que houve a principal divisão entre os muçulmanos, o que resultou nos sunitas e xiitas, que uniram divergências sucessórias às questões religiosas. Os sunitas adotavam os preceitos da Suna, livro dos ditos e feitos de Maomé, e do Corão, além de acreditarem que a eleição dos chefes deveria ser livre. Os xiitas, pelo contrário, assumiam a ligação apenas ao Corão e apontavam a necessidade de uma liderança centralizadora.

Em 750, os abássidas derrubaram a dinastia omíada, transformaram Bagdá em capital do Império e iniciaram um processo de desagregação com a instituição dos emirados, que eram califados independentes, tais como Córdoba e Cairo. Posteriormente, a partir do século XIII, o império foi sendo também conquistado pelos turcos, povos originários da Ásia Central, um processo que se estendeu até o início do século XX, mas que manteve o islamismo como religião. Na Península Ibérica, os muçulmanos foram derrotados pelos cristãos durante as Guerras de Reconquista, que tiveram fim no século XV.

A extensão do Império, a ligação entre Ocidente e Oriente e a assimilação de hábitos culturais e conhecimentos produzidos pelos povos conquistados proporcionaram aos muçulmanos a produção de um importante patrimônio cultural, incluindo filosofia, medicina, matemática, arquitetura, entre outros, que até os dias atuais se faz presente.

* Crédito da imagem: Zurijeta e Shutterstock.com


Por Tales Pinto
Graduado em História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PINTO, Tales dos Santos. "Ascensão e queda do Império Islâmico"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiag/ascensao-queda-imperio-islamico.htm>. Acesso em 12 de dezembro de 2017.

Questão 1

(Uespi 2012) As pregações de Maomé não agradaram a grupos importantes, politicamente, da sociedade árabe. Suas concepções e crença

a) adotavam o monoteísmo e tinham relações com o cristianismo, conseguindo adesão de muitos que visitavam Meca.

b) eram elitistas, sem preocupação com a situação de miséria da época e a violência das guerras entre as tribos.

c) desconsideravam as questões sociais e visavam firmar um império poderoso para combater os cristãos no Ocidente.

d) defendiam a liberdade para todos os povos e prescindiam da adoção de um livro sagrado para orientar as orações.

e) tinham relações com a filosofia grega, desprezando o espiritualismo exagerado e organizando o poder dos sacerdotes.

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