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Estado Novo e a Marcha para o Oeste

História do Brasil

A Marcha para o Oeste foi promovida durante o Estado Novo com o objetivo de desenvolver a economia e promover o aumento populacional no Norte e Centro-Oeste do Brasil.
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A “Marcha para o Oeste” foi um projeto desenvolvido por Getúlio Vargas durante a ditadura do Estado Novo com o objetivo de promover o desenvolvimento populacional e a integração econômica das regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil. O projeto promoveu a criação de pequenos núcleos de colonização, entretanto, teve resultados modestos.

Estado Novo e a Marcha para o Oeste

A marcha para o Oeste fez parte do programa de desenvolvimento econômico e populacional das regiões Norte e Centro-Oeste da ditadura do Estado Novo. Essa ditadura teve início em 1937, a partir do golpe político dado por Getúlio Vargas. Esse período ficou marcado pela repressão das ideias e pela forte propaganda política realizada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). A marcha para o oeste foi um dos projetos propagandeados pelo DIP.

As regiões Norte e Centro-Oeste eram consideradas pouco povoadas e pouco integradas com as regiões litorâneas, sobretudo Sudeste e Sul do Brasil. Assim, a proposta inicial era promover o desenvolvimento populacional e econômico dessas regiões. Outra proposta era a integração dessas áreas a partir do desenvolvimento da malha rodoviária, sobretudo em Goiás, considerado estratégico graças à sua posição centralizada no mapa do Brasil.

A função de promover o programa foi atribuída ao escritor modernista Cassiano Ricardo, que realizou funções de censor e diretor do Jornal A Manhã entre 1941 e 1945, além de ser o chefe do Departamento Político Cultural da Rádio Nacional |1|. Cassiano Ricardo promoveu o projeto varguista por meio de seu livro “Marcha para o Oeste: a influência da bandeira na formação social e política do Brasil”. Nesse livro, Cassiano Ricardo fez a defesa do projeto ditatorial de Vargas.

A propaganda promovida por Cassiano Ricardo era baseada em um nacionalismo que defendia a ideia de que a verdadeira brasilidade só era encontrada no interior do país, pois o litoral estava repleto de vícios estrangeiristas. Esse tema foi, inclusive, explorado por Getúlio Vargas em visita realizada à cidade de Goiânia no ano de 1940 |2|.

Características do projeto

A principal característica da marcha para o oeste, conforme mencionado, era promover a integração do interior do Brasil com as áreas litorâneas a partir da integração rodoviária e do desenvolvimento populacional. Com essa finalidade, foram criadas colônias de habitação em Goiás, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Maranhão.

A proposta varguista defendia a integração econômica dessas áreas a partir, sobretudo, do aumento da produção agrícola. Para que isso acontecesse, a marcha para o oeste defendia o desmonte dos latifúndios existentes e a promoção da reforma agrária para que os colonos desenvolvessem em pequenos lotes de terra uma agricultura familiar. A integração dessas regiões também seria uma tentativa de maior contato com as populações indígenas.

O desenvolvimento populacional seria realizado a partir de voluntários (principalmente originários do Nordeste) que se dispusessem a se deslocar para as regiões promovidas pelo projeto. Esse desenvolvimento populacional seria realizado, primordialmente, por brasileiros pobres, conforme o relato a seguir:

No entendimento de Vargas, a ocupação de terras nos chamados “vazios demográficos” deveria ser realizada preferencialmente por brasileiros pobres. A “marcha para o oeste” preconizava uma valorização do trabalhador nacional. Segundo o julgamento do governo, os estrangeiros representavam perigo, já demonstrado pelos que viviam nas áreas urbanas e que participavam dos movimentos grevistas antes de 1930 |3|.

Por fim, era importante para o governo que o desenvolvimento da malha rodoviária acontecesse para que a produção agrária da região tivesse melhor escoamento para as regiões litorâneas. Pela posição geográfica estratégica, o estado de Goiás era visto como fundamental, pois interligava o litoral com o interior do país.

A campanha do governo varguista teve sucesso na promoção do desenvolvimento populacional das regiões. Além disso, houve o desenvolvimento da produção e o crescimento da malha rodoviária. O projeto, entretanto, não conseguiu desarticular os latifúndios existentes, e as colônias de habitação desenvolvidas sofreram bastante com a falta de incentivo e apoio, como foi registrado no caso goiano, no qual muitos colonos venderam suas terras pouco tempo depois de estabelecerem-se na colônia que originou a cidade de Ceres.

|1| CASSIANO, Luiz de Carvalho. Marcha para o Oeste: um itinerário para o Estado Novo (1937-1945). 2002. Dissertação (Mestrado em História). Universidade de Brasília, 2002, p.53.
|2| Idem, p. 62.
|3| Idem, p. 66

*Créditos da imagem: Commons


Por Daniel Neves
Graduado em História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Estado Novo e a Marcha para o Oeste"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiab/estado-novo-marcha-para-oeste.htm>. Acesso em 25 de junho de 2017.

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