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Diferenças entre o gerúndio e o gerundismo

Gramática

Existem significativas diferenças entre o gerúndio e o gerundismo. Conhecê-las pode evitar confusões desnecessárias com o uso dessa forma nominal do verbo.
É preciso estabelecer as diferenças entre o gerúndio e o gerundismo, evitando assim confusões desnecessárias na escrita e na fala
É preciso estabelecer as diferenças entre o gerúndio e o gerundismo, evitando assim confusões desnecessárias na escrita e na fala
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Estabelecer as diferenças entre o gerúndio e o gerundismo é fundamental para que erros e confusões linguísticas sejam evitados. Muito tem se falado sobre o gerundismo, mas poucas vezes encontramos explicações que sejam, de fato, esclarecedoras sobre o assunto. Apontar erros sem indicar soluções quase sempre é uma alternativa improdutiva: é preciso esclarecer os falantes sobre esse fenômeno que se tornou comum nas modalidades oral e escrita.

O gerúndio, assim como o infinitivo e o particípio, é uma forma nominal do verbo. Recebe essa designação porque, ao lado do seu valor verbal, pode desempenhar função de nomes. O gerúndio pode, dessa forma, ter função de advérbio ou adjetivo, sendo empregado para indicar uma ação contínua, ou seja, uma ação que está em andamento, não finalizada no momento em que se fala. O gerúndio, assim como as demais formas nominais, é formado pelo tema (radical + vogal temática) e, em seu caso específico, acrescido da desinência -ndo:

Brinca -ndo, fala -ndo, corre -ndo, sorri -ndo, estuda -ndo, parti -ndo, etc.

Observe alguns exemplos do uso adequado do gerúndio:

Vi seu filho brincando na pracinha.

A menina chegou alegrando o ambiente.

Ele ficou em casa escrevendo uma redação.

As amigas estão conversando sobre a prova de português.

As orações acima são bons exemplos de que, para ser bem empregado, o gerúndio deve estar o mais perto possível do sujeito ao qual se refere, indicando uma ação que está acontecendo no momento em que se fala dela. Quando o gerúndio é empregado para reforçar a ideia de progressividade no futuro, ou seja, quando deixa de cumprir sua função gramatical e passa a ser empregado para indicar ações futuras, acontece aquilo que chamamos de gerundismo. Observe alguns exemplos:

A empresa vai estar depositando o salário até o final da semana.

O problema vai estar sendo resolvido o mais breve possível.

A professora vai estar explicando o conteúdo da prova de Inglês.

Retirando as locuções verbais (ou simplificando-as) e o uso sistemático dos verbos no gerúndio, as frases que você leu acima podem ser reescritas das seguintes maneiras:

A empresa vai depositar o salário até o final da semana.

O problema será resolvido o mais breve possível.

A professora vai explicar o conteúdo da prova de Inglês.

Ou:

A empresa depositará o salário até o final da semana.

O problema resolver-se-á o mais breve possível.

A professora explicará o conteúdo da prova de Inglês.

Por medo de errar, muitas pessoas evitam o uso do gerúndio na escrita e na fala
Por medo de errar, muitas pessoas evitam o uso do gerúndio na escrita e na fala

O gerundismo está longe de ser um ponto pacífico, mesmo porque não está em concordância com a tradicional sintaxe do português. Por subverter a regra de uso das formas nominais do verbo, é considerado, por alguns estudiosos, como um vício de linguagem. Contudo, esse modismo linguístico é empregado constantemente na fala e na escrita, embora seja criticado por sua imprecisão semântica. Além das questões gramaticais, o preconceito linguístico, questão muito discutida pela sociolinguística, também é responsável pela condenação sumária do gerundismo.

Se é uma questão estritamente gramatical ou não, o fato é que na linguagem, assim como nos demais aspectos de nossa vida, o bom senso deve ser empregado. Por que empregar sistematicamente locuções verbais acompanhadas de um verbo no gerúndio quando apenas um verbo flexionado no tempo futuro resolveria a questão? Ainda assim, não cabe a ninguém julgar os falantes, condenando-os sem antes fazer uma análise mais detalhada sobre o gerundismo. Proibi-lo, como se fosse possível legislar sobre a língua portuguesa, é uma tarefa fadada ao fracasso. Banir o “vício de linguagem” ou discriminar quem utiliza o gerundismo no dia a dia não é a alternativa mais adequada. Em lugar disso, é preciso ensinar o usuário a pensar sobre seu idioma, encontrando assim maneiras eficientes e objetivas para que a comunicação aconteça de forma clara, livre de cacoetes linguísticos.


Por Luana Castro
Graduada em Letras

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PEREZ, Luana Castro Alves. "Diferenças entre o gerúndio e o gerundismo"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/gramatica/diferencas-entre-gerundio-gerundismo.htm>. Acesso em 21 de agosto de 2017.

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